Vésper caiu cheia de pudor na minha cama
Vésper em cuja ardência não havia a menor parcela de sensualidade
Enquanto eu gritava o seu nome três vezes
Dois grandes botões de rosa murcharam
E o meu anjo da guarda quedou-se de mãos postas no desejo insatisfeito de Deus.
(Estrela da Manhã - Manuel Bandeira)
Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!
(Libertinagem - Manuel Bandeira)
Continuando a leitura, passei por “Libertinagem” e “Estrela da Manhã”, dessas partes publico meus poemas favoritos…
PS: Uma gripe sempre nos ajuda a adiantar a leitura.
Three Days Grace ♪ World so Cold
Esta minha estatuazinha de gesso, quando nova
- O gesso muito branco, as linhas muito puras –
Mal sugeria imagem de vida
(Embora a figura chorasse).
Há muitos anos tenho-a comigo.
O tempo envelheceu-a, carcomeu-a,
manchou-a de pátina amarelo-suja.
Os meus olhos, de tanto a olharem,
impregnaram-na da minha humanidade irônica e tísico.
Um dia mão estúpida inadivertidamente a derrubou e partiu.
Então ajoelhei com raiva, recolhi aqueles tristes fragmentos, recompus a figurinha que chorava.
E o tempo sobre as feridas escureceu ainda mais o sujo mordente da pátina…
Hoje esse gessozinho comercial
É tocante e vive, e me fez agora refletir
Que só é verdadeiramente vivo o que já sofreu.
Manuel Bandeira
O que eu adoro em ti
Não é sua beleza
A beleza é em nós que existe
A beleza é um conceito
E a beleza é triste
Não é triste em si
Mas pelo que há nela
De fragilidade e incerteza
O que eu adoro em ti
Não é a tua inteligência
Mas é o espírito sutil
Tão ágil e tão luminoso
Ave solta no céu matinal da montanha
Nem é tua ciência
Do coração dos homens e das coisas
O que eu adoro em ti
Não é a tua graça musical
Sucessiva e renovada a cada momento
Graça aérea como teu próprio momento
Graça que perturba e que satisfaz
O que eu adoro em ti
Não é a mãe que já perdi
E nem meu pai
O que eu adoro em tua natureza
Não é o profundo instinto matinal
Em teu flanco aberto como uma ferida
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza
O que adoro em ti lastima-me e consola-me
O que eu adoro em ti é a vida.
Manuel Bandeira
(Dedico este poema a Rodrio Borges, em quem pensei a todo momento enquanto o lia)
Estou lendo a Antologia Poética de Manue Bandeira e, claro, adorando. Os poemas de ‘A Cinza das Horas’ e ‘Ritmo Dissoluto’ são meus favoritos até então. Leiamos alguns nas próximas postagens…
Mais sobre aqui.
Blog reformulado!
Não sei se o título condiz com tudo o que expressarei aqui, mas espero que gostem.
Aprendi a ser sucinto…
Abraços.
É mais do que claro que há tempos não posto. Não sei se a desculpa da falta de tempo ainda me é plausível ou se a falta do que postar ou simplesmente falta de vontade de postar tem me impedido de fazê-lo. Fato é que na maioria das vezes que nos sentimos bem deixamos de demonstrar o que sentimos porque a felicidade não é tão inspiradora quanto o infortúnio, e isso nos faz deixar de escrever. Não que eu realmente sinta-me assim, mas o tempo, todo tempo está passando rápido, rápido de forma que assusta, e talvez o simples fato de não poder viver nos faz deixar de escrever, uma vez que não temos o que narrar ou no que nos inspirar.
Na verdade não sei porque escrevi isto, não estou inspirado, muito menos afim de me expor, mas já que minhas mãos tiveram o trabalho de fazê-lo, que ao menos arrisque para que alguém se identifique, caso tenha tempo para ler estas palavras.
Talvez eu passe a escrever mais ou nunca mais volte, mas procurarei alguém para se identificar com o que penso e sinto de forma mais pessoal. Este é o fim, do início, do nada.
Tati Bernardi
( Eu sempre imaginei, quando pequeno, que todas as ruas poderiam ser assim, OMG )
“y que tu sombra
tu propia sombra
fue tu única
y desleal competidora.” — Blanca Varela
(via euchrid)
(via yournightmare)
trifecta stairs
(via dethjunkie)